quarta-feira, 10 de abril de 2013

Introspecção


Não me compreendo,
Não me percebo a mim mesmo,
Tenho esta cobertura, armardura, que trago comigo
E que começou por servir para me proteger dos outros
Mas que agora me afasta de mim próprio.
Vivo numa espécie de efeito de ópio
Sinto-me perdido dentro de mim mesmo
A sério que não me compreendo
Porque me combato, porque me defendo
Não percebo porque minto a mim mesmo,
E a concepção dessas mentiras é para mim uma verdade pura
Porque não consigo enfrentar qualquer realidade dura
Porque não consigo terminar o que começo
Porque não consigo lutar, ou saber a que personalidade pertenço.
Estou em idade adulta, mas é impressionante como não me conheço.

Sinto-me constantemente rejeitado
Quando muitas negações não são rejeições
Sinto-me revoltado
Quando a minha revolta existe sem razões.
Porque sou eu assim?
Amando todos, sorrindo a todos, menos a mim?
Porque raio faço isto, afasto tudo e todos
Abandono tudo e todos
Deixo de contactar quem na realidade gosta da minha presença
Se pudesse responder individualmente a cada questão
Talvez do ódio e raiva que por mim mesmo tenho
Houvesse uma espécie de esperança ou perdão...

Preciso de resposta, e com urgência
Antes que a dúvida se torne demência.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Tenho a vida a correr

Image from: http://gravityoflife.blogspot.fr/2010/03/reason-to-life.html



Tenho as pálpebras a arder
De tantas horas a olhar, especado
Para o tecto a ceder
Da casa que me deu tanto agrado.

Tenho as pernas a tremer
De tanta ânsia de voltar a ser empurrado
Pela alma triste de se ver, e ter
Pela voz que me deixava de lado.

Tenho o coração a bater
Cada vez mais forte, por querer vida
Querer sensações, sustos querer
Querer estar de partida.

Tenho a vida a correr
E dela corro eu atrás
Não a posso mais perder
Sei o bem que ela me faz.

Tenho os olhos a abrir...
Aos poucos, como se de um bebé me tratasse
Não como se do berço me deixasse cair
Mas como se do berço me levantasse!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aquilo a que posso chamar casa


Image from http://homeinqueanbeyan.org/
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ESTE sou eu
Não aquele que durante uns meses se perdeu.

Encontrar-me aqui, nesta santa casa
Fez-me perceber que é isto que sou
Nada mais, nada menos.
Sou talvez quem sabe, um homem de climas amenos
De mimo, de memorias da minha infância que voou
Em que tanto corri, e tanto ri
Em que tanto vivi, tão pouco sofri.
Obrigado, minha família adotiva
Por muito que viva
Por muito que viaje
Acabo sempre neste mesmo destino
Onde passei os meus tempos de menino.

Sei que nenhum de nós durará para sempre
Mas enquanto a vida nos unir
Terei sempre um lugar para vir.
Posso ter de me ausentar
Mas este bocadinho de mim aqui fica com vocês
Bem cedo, acreditem, hei-de cá estar outra vez.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Afim de viver


I
Imagem de iurd.pt, todos os direitos reservados


Explode em mim uma necessidade enorme de ser aceite
Um fulgor bastante intenso que ora me mata
Ora me faz renascer em potência.
Há dias em que não sinto ter decência
Outros em que quero e sinto poder fazer tudo.

Fazer de mim mesmo um homem equilibrado
Será tão difícil como fazer falar um mudo
Tenho esse objectivo bastante bem delineado
Mas perco-me duas vezes em casa três
Porque a depressão, mistura-se com melancolia
E esses sentimentos invadem-me à vez.

Da noite, passo para o dia
Como quem abre e fecha os olhos
Bem quero ter a tal tranquilidade
Tenho uma enorme necessidade
Agarrada a mim, e não sei se tenho a força para a satisfazer
Mas terei de a encontrar, afim de viver.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Hoje isto


É estóico, desumano
O esforço que faço, dia após dia
Para encontrar razões que me agarrem ao discernimento.
Sei que tem sido um esforço constantemente inútil
Sei que me fez perder no Mundo
Luto a todo o momento
Levanto-me por todas as vezes que bato no fundo
Mas sou, ainda assim, feliz.

Nem que o Mundo saia de órbita
Nem que o Sol venha a explodir já amanhã
Sinto, cá no fundo, que me livrarei de todas estas fobias
Mas sinto também, e isso é indiscutível
Que nem que haja uma volta completa na minha vida
Nunca mais serei feliz como fui em criança
A tempestade tem sido tão grande
Que já não haverá uma tão grande bonança.

domingo, 16 de setembro de 2012

Salva-me, salvo-me




Estou no meio de uma viagem mental
Amarrado às cordas da minha imaginação
Voando ao Deus-dará
Segundo a vontade dos ventos
Sou este filho de Deus, Zeus, Alá
Sou garra, gratidão, loucura, insanidade
Sou um velho sem noção da sua idade.

Sou isto, viajante
Perdedor, lutador, errante
Sou isto sem definição
Sou esperança de salvação
Quero-te, salva-me, resgata-me
Salva-me, salva-me, salva-me
Não me deixes cair nem mais um degrau
Sê meu ser, minha redenção
Sô o que der para ser, segundo o que o destino quiser
Sê eu, não te percas,
Por favor João, por favor
Não te percas, não erres
Sê o maior de todos os seres
Como eras,
Sê isso.

Habitante de um Mundo onde há mais gente
Mas onde tu sabes que és tu
Onde não há espaço para nada mais
Senão a inexistência dos demais.

Volta a ter o teu orgulho
Volta a ser dono de ti
Só assim a vida sorri.

Salva-me, salvo-me,
Se voltar a ser eu
O podre desespero finalmente morreu!
A guerra comigo mesmo acabou!
Agora a vitória é a pessoa em que finalmente me tornei
E a vida será o que dela esperarei!

A salvação está garantida
Sou o dono da minha vida!

domingo, 11 de setembro de 2011



Je voudrai savoir
Pourquoi je n’arrive pas à avoir
Un moyen de vivre comme je veux
Tout simplement !
Je voudrai qui on me regarde comme le mec dur
Qui a tout la capacité
D’avoir une grande vie
Je suis, je suis
Ce sensation de rien
Qui se tien
Qui ne comprends pas de quoi faire
Quand regarde les actions terribles de sa mère.