domingo, 9 de janeiro de 2011

Saudade



Esta constante saudade desmedida
Que vejo,
Que sinto,
Que vivo
Faz-me bem e mal.

Pois sei que só a tenho porque tive momentos bons
E também porque vivo momentos menos bons.

Ela traz-me loucuras desmedidas
Ao mesmo tempo que a alegria me invade
Ela faz-me sentir uma espécie de louco
Que sente a vida saber a muito e a pouco.

Que ela se mantenha e acabe
Que ela saiba ainda melhor do que sabe
É isso que quero dela
É isso que ela deve ser
Saudade que não acaba
Mas que se continua a contruir
Sei que está ainda muito para vir...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010



Nesta puta de vida,
Neste oceano de degredo
Perde-se a batida
Perde-se o segredo
E sobressai o medo!

Pois nesta vida que é puta
Só se vê diferença e solidão
Todos tentam, mas ninguém disfruta
Da real essência da nossa “liberdade”
Somos todos uma mentira sem idade!

E a vida, apesar de ainda existir
Torna-se pequena e frustrada
Rimo-nos do que não devemos rir
Começamos por ser tudo e acabamos sendo nada
Porque a vida é desperdiçada.

Pense-se nisto para dentro de nós
Reflicta-se o que fazemos
Se não aproveitamos enquanto vivemos
A morte não nos deixará aproveitar
E acabamos sendo mais um nada a lamentar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


São amorfas,
Estas vidas entrelaçadas
Vistas por prismas indiscretos
Vistas por todos esses nadas.

São antropomórficas
Na medida em que se soubessem viver
Seriam vidas não perdidas
Pois nunca se poderiam perder.

E eu sou um gajo feliz
É isso o que a minha consciência diz
Porque compreendo as coisas de uma maneira
Que me permite suavizar cada asneira.

Sou esse tipo de gajo, acho
Que come e bebe que nem um cacho
Tragos de vida aos golos
Tragos de saudade aos molhos
E que vive aos pulos
Com o que vêem os seus olhos.

Assim quero continuar
Poetizando por poetizar.

Assim quero continuar a ser
Uma espécie de louco que até sabe
[mais ou menos]
Viver!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nada



Depois do nada vem a redenção
Antes, nada mais, apenas vida no sentido social
Dessa que se vive mal
Cuja fonte é a pura obsessão
Pelo nadinha, pela ilusão.

O povinho, «ciente» de si,
Vai vivendo por aí
Como se o fim de semana fosse a vida
Como se o resto fosse apenas o necessário.

E o necessário é ganhar algum
Ser alguém no meio de nenhures.
Ser uma espécie de sanguessuga ferida
Por males que não vêm no dicionário.

Soube do nada que preciso de viver
E é do nada que o vou fazer.

Porque o nada é tudo – mude-se a definição!
Porque a razão está mesmo no coração!

O céu muda e olhamos para o chão

O céu está demasiado estranho
Na forma e no tamanho!
As nuvens formam padrões psicadélicos
Uma espécie de ameaços bélicos
Daqueles que nos arrepiam e nos fazem tremer
Qual formiga que teme morrer.

E o pânico vem, vai, volta!
E o cheiro a sangue intensifica-se mais e mais
E mais!
E já só oiço ais!
No meio de águias e pardais
Não sobra espaço para os demais
Esses que lutam para ser alguém
Temem não ser ninguém
E se esquecem do que são – enormes.
Desses como tu, tu sim!
Que sonhas sem fim
Estás acordado mas dormes...

quarta-feira, 24 de março de 2010

The Strokes - You only live once

Não resisto a pôr aqui uma musica que descobri recentemente dos "The Strokes", chamada "You only live once", alguma coisa como: "Só se vive uma vez". Deixo o videoclip e a letra em inglês:



Ooooooooh Ooooh Ooooh

Some people think they're always right
Others are quiet and uptight
Others they seem so very nice, nice, nice, nice, nice, nice...(oh-ho)
Inside they might feel sad and wrong (oh no



Twenty-nine different attributes
Only seven that you like (uh oh)
Twenty ways to see the world (oh-ho)
Twenty ways to start a fight (oh-ho)

Oh don't, don't, don't get up
Sh-sh-sh-sh-I can't see the sunshine
I'll be waiting for you, baby
Cause I'm through
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
ooooooo-ooooooo-oooooh


Oh, men don't notice what they got
Oh, women think of that a lot...
A thousand ways to please your man (oh-ho)
Not even one requires a plan (I know)



And countless odd religions, too
It doesn't matter which you choose (oh no)
One stubborn way to turn your back (oh-ho)
This I've tried and now refuse (oh-ho)


Oh don't, don't, don't get up
Sh-sh-sh-sh-I can't see the sunshine
Oh, I'll be waiting for you, baby
Cause I'm through
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
Alright


Shut me up
Shut me up
And I'll get along with you

Apetece-me


Apetece-me fazer qualquer coisa

Gritar, saltar, chorar, algo...
Apetece-me dizer ao Mundo o que sou
Porque o sou, como o sou...
Apetece-me virar para a montanha e dizer-lhe que a vou subir
Apetece-me rir, rir, rir!!!

Apetece-me dizer ao Mundo como estou
Os mergulhos em chão duro que dou
Contar-lhe o sitio para onde vou
Contar ao Mundo que ele mudou...

E se mudou...
Tanto que está irreconhecível
Apetece-me gritar ao Mundo, meu eterno amor
Que ele já esteve bem melhor...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Capitão desgovernado

Pintura de: Vladimir Kush (vale a pena conhecerem)

Que raio de dia, este
Onde o norte está no oeste
A vida marcha ao som da voz agreste
De um qualquer capitão desnorteado.

O navio está claramente mal contruído
A proa e a popa trocadas
E a capitania sem rotas traçadas...

Ah, Deus meu, Deus meu,
És tão válido como Leviatã
Tão existente quanto Satã
Tão mentira quanto eu
Quando digo ser imortal...

Ah, Deus meu, Deus meu,
És tão válido quanto o Adamastor
És lenda, de maior terror
Tão social quanto eu
Quando digo ser social...

Mas não me leves a mal
Se disser que és apenas um pensamento
Criado pelo «tal» social
Que pensa que pensa mas não o consegue
Veremos a mentira que se te segue...

ADeus!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Salvadores


Ouvi hoje na televisão
Que tristeza e fado,
Nostalgia e solidão,
Caminham lado a lado.

Pois eu digo-vos nesta prosa
Que a vida não é assim
Por ser maravilhosa!

Hoje nasceu o meu salvador
Aquele que me trouxe sentimentos habitáveis debilmente
Em grutas que já não conhecia
Trogloditas...
Já nem sei o que são tristezas malditas
Porque hoje só consigo sorrir!
Já nem sei que ânsias eruditas
Existam ou possam existir:
Hoje só me da para rir!

Amo já este menino sem ainda o ter visto
Amo-o já de uma forma desproporcional com qualquer medida
Amo-o porque ele é já parte de mim
Porque apenas por ter chegado me ressuscitou a vida!
Amo-te Salvador, desprotegido nunca serás
Porque sei que terás imenso tempo para me amar também
Porque significas tão só felicidade no estado puro!

E eu não saberei mais chorar
Com meninos como os que a vida me veio dar!

Porque um sorriso estampado no rosto de cada um deles
É mais poderoso sozinho que mil problemas!
Porque sem esse sorriso nunca haverá rastos de vida
Porque esse sorriso afasta os dilemas!

Amo-vos, meninos meus
Vocês são o meu deus!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pilares meus de vida minha

Imagem: Maria da Silva (agradecido) - vejam as maravilhas que ela capta

Gosto de sentir a vida
Mas sinto-a com uma soturnidade tão intensa
Que chego a desejar que todos, mesmo os que amo
A sintam assim também.

E descobrindo, desfilando, deslizando,
passo pela vida aos escorregões
Com uma sensação constante de ter deixado algo
Com um amor profético carregado às costas
Com um receio temeroso do que esta vida tem.

Nem mágoa nem alegria:
Não sinto nada senão amor.
Muitas vezes julgo sentir alegria, mas é amor
Outras penso sentir raiva, mas é amor.
Outras nostalgia ou saudade, mas é amor...

Em cada quark, em cada electrão, protão, neutrão,
Em cada átomo, em cada célula, em cada órgão
Em cada parte recôndita de mim, só sinto amor.
Amor a esse algo que deixei
Amor a tudo o que já amei
Amor aos meus, esses a quem posso chamar meus!

Basta-me parar e recordo,
Basta-me um segundo de olhos fechados
Para ver o Mundo
Para que me invadam um turbilhão de recordações.

Recordo dia após dia quem é o segredo do meu sorriso
Pois se descubro, se desfilo, se deslizo
É a vocês que o devo, amigos e família
Pregados e alojados no meu coração
Magníficos são os meus pilares
E sempre os meus pilares serão.

Sintam o que sinto


Deambulando soturno por estas novas ruas,
Percepcionando a mudança constante das luas,
Já nem sei que quero da vida nem que'é vida
Porque a minha rota não s'ta definida.

Que sensação má do que tenho gasto
Que mórbida estranheza a meu lado
Que viver mais podre e nefasto
Que ser tão desorientado
Me sinto, aqui, hoje.

O mundo me foge.
A vida é,
Aqui ao pé,
Só nada!!!
Aaaahhh!!!

Porque deambulo por deambular
As luas já não se encontram no lugar .
Porque a vida não s'ta como devia estar;
Porque a rota é em si demasiado vulgar.

(Este poema pretende que o leitor vá esmorecendo à medida que o lê, dai que não só os versos vão ficando mais pequenos como a própria métrica do poema vai diminuindo em ciclos constantes. No primeiro verso há 14 silabas métricas, no seguinte 13 e assim sucessivamente. Por outro lado, até à epifania final iniciada no verso "a vida é", todos os versos acabam com uma palavra grave (que tem a silaba tónica na penúltima sílaba). Isto porque são palavras com uma acentuação sonora que se intensifica e esmorece, desta forma pretendo retratar o que é a vida, com constantes desilusões.
Quanto à ultima quadra, ela pretende explicar a razão de tal esmorecimento, sendo que todos os versos são hendecassílabos (com 11 silabas métricas). Escolhi o número onze pela sua simetria e perfeição, numa ténue esperança de que a vida possa ser assim também.)

Maratona sem prémio (pelo contrário)


Desacelerando o ritmo constante
Da vida maravilhosamente errante
A órbita é comprida mas apreceável.
Ritmando o ritmo desordenado
Do fulgor por nós criado
A órbita é comprida mas alcançável.
Não mais que sonhos se almejam
Não mais que verdades se desejam
No caminho da nossa incrível vida.
Mais curta que comprida, mais curta que comprida.
Porque sem conta, peso, ou medida
Aprecia-se tudo sem classificação
Vêem-se as coisas tal como são
Porque sou da natura irmão
Porque sou da natura irmão.
E que pássaros voando
Pedras rolando
Humanos caminhando.
E que animais vivendo
Árvores crescendo
Vidas sem dividendo
Que descobrem o horrendo
E orbitam no desnecessário
Do valor material e primário.
Tic-tic-tic
ploc-ploc-ploc
Ah-ah-ah
A musica que a natureza nos dá...
Não sei se algo mais belo haverá,
Mas sei que coisa mais pura não há!
Porque a sofisticação ilusória
Que mudou o rumo da história
(Mais curta que comprida, mais curta que comprida
Mais mentira que vida, mais mentira que vida)
Em nada melhorou o mundo
Que se tornou vazio e moribundo
Que não é mais algo a que se possa chamar
MUNDO! MUNDO! MUNDO!
O vazio a triplicar
Mostra a importância que lhe devíamos dar
O mundo não é mais natureza
Porque ninguém lhe vê a beleza
Que os verdadeiros Homo-Sapiens lhe deram
Somos nada mais que o vazio - tão só
Somos animais que metem dó...

sábado, 26 de dezembro de 2009


Eu estou aqui para o mundo
Mas o mundo não está aqui para mim
Mas que pedaço de papel queimado
Faço de mim, desgraçado.
Mas que pobre bocado de pão
Me torno, em mim, podridão...

Nada na negridão do meu olhar
Me impede ou incita a amar
Nada em vida pobre
Que tenho e me impede de ser nobre,
Poderá trazer qualquer tipo de mim
Pois nada no mundo me diz que sim.

A circunvalação social
Que retrato em versos altamente poéticos
(altamente ou pobremente)
Tornam-se pedaços momentâneos e épicos
Da desilusão de nós, energúmena gente!

Porque Deus e o diabo são iguais: inexistentes
Porque a essência de nós próprios é a mesma que nada
Porque a essência não é a que se conhece:
É a que se sente
Nos espaços recônditos da mente
Na percepção de que ninguém é diferente
Na concepção de mim enquanto gente.

E o mundo é matéria que habitamos
Mas temos a casa suja, acredite-se!
Nos pedaços amáveis dos que amamos
Arrumar-se-á a beleza que nunca notamos
Porque somos demasiado secundários
Porque as letras formam mais que abecedários!

Este poema é prova disso
O mundo é mais do que aquilo que vemos
O mundo é tudo o que temos!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Não sei se alguma vez a vida será igual.

O que vi hoje,
O que senti hoje,
Fez-me parar e duvidar de tudo.

Duvidei de que o mundo é assim tão mau
Duvidei até de que nunca mais serei alguém.

E tudo isto por uma simples razão
Sentir-me pequeno
Tão pequeno como um grão de areia, tão pequeno
Que cresci imenso.

Nem sei expressar bem as memórias que guardarei em mim
De hoje para o resto da minha vida
Nem sei sequer
Se poderei ou não dizer
Quem sou, como sou, porque tudo é subjectivo.

Na realidade, o que vi foi Paris
E sinto que nada será como dantes
Percebi as maravilhosas coisas que podemos construir
E as maravilhosas sensações que as nossas construções nos dão.

Toda aquela luz no meio da sensualidade citadina
De uma cidade a arder...
A arder em desejo, em brilho, em perfeição
O caos misturado com a calma
O equilíbrio e a diversidade cultural
Um Mundo dentro de uma caixa chamada Paris.

O que lá vi foi o que sempre quis
E concretizei um sonho, algo que nunca tinha feito
Por muito insano que isto possa parecer.

Ver Paris dar-me-á, sem dúvida
A força que me andava a faltar
Para continuar, lutar, viver!

É impenetravelmente belo
Tudo o que vejo todos os dias.

Desde a inocência e felicidade existentes em mim
Ate a impaciência ou excessiva lucidez que me caracterizam.

Sou o que sou e porque o sou
Sou o resultado final da minha própria moldagem
E gostei, no fundo, do resultado.

Orgulho-me todos os dias que acordo
Por ter a força para viver mais um dia.
E nunca terei vergonha de acordar
Porque sou alguém de quem me posso orgulhar.

Sempre que saímos de uma tempestade temos de sair molhados
Mas sei que toda a água acumulada secou
Fiquei com marcas em mim, normal
Mas elas são algo com que cresço todos os dias
Sou forte, humano e sensivelmente racional.

Sou consequência do que a vida quis
Mas dou graças a isso porque há poucos como eu
Não tenho vergonha de nada do que até hoje fiz
E sei que cada erro foi uma lição que a vida me deu.

Por isso espero continuar a errar
Continuar a viver cada segundo poetizando
Fazendo dos que me rodeiam pessoas melhores
E de mim próprio o resultado disso
Porque sei que apenas sonhando
Poderei realizar o que a todo o momento sonho.

Poucos se atreveriam a desafiar a vida como eu a desafio
Poucos deixariam tudo para dedicar a vida a quem «amam».
Sei que sou uma pérola fechada numa concha
Mas os benefícios das minhas decisões virão com o tempo.

Por isso deixei de ter vergonha de mim
Sou consequência nítida do que vivi
E sei que o que vier de bom será amplificado
Porque lhe darei mais valor do que alguma vez antes lhe teria dado.

De quem cresceu com a maravilhosa vida
Para quem pensa que poderá não haver saída!

terça-feira, 17 de novembro de 2009


Nutro uma salutar falta de indignação
Por coisas relevantemente indignantes.

Talvez porque tenha perdido o interesse por pormenores.

Não deixa de ser irónico tudo isto
Como alguém constantemente preocupado
Se torna em alguém sem pressão.

Aprendi com o sofrimento
Que a vida tem de ser encarada com um sorriso
Que quando se vive ao máximo o momento
Temos tudo o que é realmente preciso.

Poder acordar e sentir alívio é fabuloso
Os momentos pequenos podem ser incríveis
Pois quando o que é simples se torna precioso
Ganhamos a capacidade de sermos invencíveis.

Interesso-me por descobrir
Descubro por cada dia que a vida existe
Existo sobretudo para sentir
Sinto-me perdido, sinto-me triste.

Quero ser o infinito alcançável
Quero ser a imperfeição perfeita
Quero ser o imortal destronável
Quero ser o desgraçado que se enjeita.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Para a minha loira



Abro os olhos e vejo-te
Sinto cada vez mais amor por ti.

Se a Lua é circular ou cortada
Se o Sol é lindo e não se pode ver
Posso sem dúvida olhar para ti
E dar graças por te ter.

Dizer que a minha vida é vazia é loucura
Contigo preencho os momentos maus de felicidade
Contigo não consigo parar de rir
E essa é a melhor prenda de uma amizade.

Obrigado, adoro-te
Sem dúvida não faço ideia do que faria
Sem amigos como tu.
Que me entendem, que vivem comigo os meus problemas
E que choram comigo as tempestades da minha vida.

Nem sei nem quero saber
Se nos poderemos ver todos os dias
Sei que nos sentimos constantemente
Pois se há algo que me faz continuar
É sem dúvida a amizade que me continuas a dar.

Obrigado pelo teu sorriso, Tânia.

     Hoje é apenas mais um dia. Daniel acorda, fica uma hora na cama a olhar para o nada, levanta-se a arrastar, veste-se e sai de casa. Note-se que não há amor por si próprio, apenas desprezo. A casa está completamente desordenada, tudo por arrumar, pratos na sala sujos, pinturas de depressão na parede, marcas de sangue das feridas que Daniel nunca realmente sarou, o quarto com a cama por fazer, a secretária preenchida com todos os poemas aos montes, tristes, melancólicos, mas sobretudo abandonados.
     Faz hoje seis meses que Daniel iniciou esta depressão, quando mudou para uma cidade sem nada, onde não conhecia ninguém, vindo de uma realidade ainda pior, onde foi rejeitado pela vida, onde viu pessoas que amava, que realmente amava, morrerem. Daniel tinha apenas dezoito anos, mas tinha uma vida preenchida de coisas que já vira que muitos adultos nem nos seus pesadelos imaginam. A realidade é que Daniel viu os seus pais na desgraça e nunca pôde fazer nada por eles a não ser dar «apoio psicológico». Viu a sua mãe e o seu pai suicidarem-se várias vezes, acredite-se ou não, os erros que viu os seus pais cometerem foram autênticos suicídios, até que percebeu que não havia nada que o agarrasse à vida.
     O corpo de Daniel era um autêntico reflexo da sua mente. O vestir era o mesmo todos os dias, não havia sequer uma tentativa de agradar aos outros, os pulsos tinham várias marcas de cortes, nunca tentativas de suicídio, mas sim tentativas de sentir a vida através do sangue e da dor.
     Entretanto Daniel chega a casa chorando, sem nenhum motivo aparente chora, não porque tenha uma razão em especial, mas porque tem a mesma razão de sempre: a sua vida não vale nada. Hoje foi um dia como todos os outros nos últimos seis meses, um dia inteiro sem fazer absolutamente nada e sem poder fazer absolutamente nada. Daniel sentia que chegara o momento. Correu para a secretária, correu de raiva, escreveu a um ritmo furiosamente rápido, levantou-se foi buscar a faca, e fez um corte diferente de todos os outros. Este foi propositadamente irreversível, este acompanhou a veia, foi feito paralelamente ao braço, acompanhou a raiva que sentia e foi feito paralelamente à sua mesquinha vida. Entretanto caiu, começou a ver tudo turvo, sentiu toda a sua vida passar-lhe à frente dos olhos e, percebendo que nada nela era alegre, sorriu. Talvez este tenha sido um sorriso de alívio por não ter mais que suportar esta vida. Este foi o último sorriso de Daniel.

    
     Eu próprio fui este Daniel, eu também suicidei o Daniel que existia em mim e os problemas que descrevo acerca da vida deste homem são na realidade os meus problemas. Nunca tive uma tentativa física de suicídio mas mentalmente fui matando algumas coisas que existiam na minha cabeça. Espero que as pessoas percebam um dia que a vida pode ser maravilhosa, mesmo quando saímos de uma depressão «não clínica» como a que tive. A vida pode de facto ser boa, temos é de olhar para ela de outra forma, mudar de lugar, conhecer algo novo, agarrarmos-nos ao que de bom temos e a vida de certeza será uma constante construção pessoal para uma felicidade que sei que todos desejamos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

França


A moribunda sensação de lucidez
Leva-me a ser prudente por aquilo que os meus olhos alcançam.

Em França, os pensamentos dançam,
Os sonhos constroem-se naturalmente
E a vida flui de forma diferente.

Aqui o sorriso é mais espontâneo
As lágrimas mais naturais
A sensação constante de luz dá-nos luz
E a firmeza dos meus devaneios reluz.

Aqui tenho espaço para ser o louco que sou
Aqui tenho tempo para deixar suicidar o meu eu triste
Aqui sinto-me acompanhado para onde vou
E sei que havia algo que agora não existe.

Não sei se a tristeza é vã agora
Ou se a alegria era irrelevante dantes
Sei apenas que a vida não é a de outrora
E que as luzes cá são alegremente provocantes.

domingo, 8 de novembro de 2009




É estóico, desumano,
O esforço que faço, dia após dia,
Para encontrar razões que me agarrem ao discernimento.
Sei que tem sido um esforço constantemente inútil
Sei que me fez perder no Mundo
Luto a todo o momento
Levanto-me por todas as vezes que bato no fundo
Mas sou, ainda assim, feliz.

Nem que o Mundo saia de órbita
Nem que o Sol venha a explodir já amanhã
Sinto, no fundo, que me livrarei de todas estas fobias
Mas sinto também, e isso é indiscutível
Que nem que haja uma volta completa na minha vida
Nunca mais serei feliz como fui em criança
A tempestade tem sido tão grande
Que já não haverá uma tão grande bonança.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Falta de Satisfação metricamente ritmada


Abraça-me, preciso de afecto
Onde é que páras, satisfação?
E nunca mais vou chorar, prometo
Invade meu pobre coração.

Vem ter comigo aqui, onde estou
Faz de mim o teu amado irmão
Chama de onde estiveres que eu vou
Invade este pobre coração.

Preciso de ti mais do que tudo
Estou farto desta provação
Dá-me teu conforto de veludo
Assalta meu pobre coração.


Falta de alma metricamente ritmada



Já não sou eu, aqui
Vê-se só uma sombra
Do que vivi, de mim
Resta só esta sombra!

E este caudal de mágoa
Não consegue parar
Fúria na forma de água
Que me tenta afogar.

Recordo o que sentia
Enquanto fui eu próprio
Sonhava, amava, ria
Vivia neste meu ópio.

Nada vejo ao espelho
Já nem tenho reflexo
Pareço um louco velho
Cheio, sem alma, complexo!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A minha Odisseia


Que tormentas assombrosas me atingem
Que fogos cruzados enfrento
Que episódios dignos de epopeia
Indescritíveis até a Homero
E eu, que em meu reino impero
Percebo, que na minha própria Odisseia
Nada é mais importante que eu próprio.

A cada tormenta, a cada fogo cruzado
Os tripulantes do meu barco vão caindo
Cada um deles cai de fraco ou cansado
E só muito poucos comigo vão resistindo.

Sei hoje que cada amigo é um grão de pó
Que voa a cada vento que passa
Mas sei também que não estou só
E que me reerguerei no meio desta desgraça.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Esta é a razão porque Muse é a minha banda favorita.
Veja este vídeo:

United States of Eurasia - The Resistance 2009 (Muse)

Este é o reflexo exacto do que penso em relação a este tema.

Criança




Vive, por favor
Vive, criança
Sinal derradeiro de esperança
Reflexo de felicidade tão desejada
Criança minha tão amada.

Vive, porque estás a tempo de o fazer
Vive, porque vivendo sorris
E o teu sorriso salva o planeta.

Vive, porque preciso do teu viver
Vive, porque pela tua vida tudo fiz
Vive, nem que seja só por viver.

E sorri, sorri para me salvar
Sorri para eu ter a força necessária à minha salvação
Sorri para me curar tantas feridas
Que trago agarradas à minha desilusão.

A incapacidade que tenho não a tens tu
Por isso vive, criança
Sê a minha salvadora lembrança.
(de tudo, de nada, do que me salvar
Vive criança
Enquanto viveres vou-te amar) .


O amor dói



O amor dói,
Ah, se dói o amor!
Em cada célula, em cada átomo,
Em cada electrão vibrante do meu ser!

E que dor espalha ele!
Inexorável, fria, penetrante
Que dor esta que me impede de viver.
Respiro ofegante,
Vivo mais deslumbrado que deslumbrante
Mas sei que vivo para amar.

Sei que a vida me usa como um soldadinho de chumbo
Sei que Ela quer provocar em mim a dor que o amor traz
Mas sei também lá no fundo
Que sem esta dor não há vida,
Sem amor, ou dor, ou ambos
De nada sou capaz.

Que caos sou eu sem confusão?
Que guerra sou eu sem caos?
Que pessoa sou eu sem guerra?
A batalha que o amor me faz enfrentar
É o tutano que a vida me continua a dar.

Obrigado a ti, amor!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nada vejo
Tenho os olhos tapados
Por entre sonhos que almejo.
E alguns puderes bem disfarçados.

Ai vida, que quantidade de palavras
Dispersas e libertadas
Providencias ao povinho, escravo de ti.

Ai vida, pequena ou grande
Maravilhosa ou odiosa
És a prova de que ainda não morri.

A ironia e a fantasia dão as mãos
Quando percebo que a veia poética não desapareceu
Tal como a vida, ela mudou
Mas continua a ser o reflexo exacto do que sou.

Ai vida, continua a mudar
constante e contrastante mudança
reflexo da minha ténue satisfação
reflexo da minha frágil esperança
E continua a alimentar a minha inspiração.



De palmas bem abertas vives
De pão raro te alimentas
Nada nesta vida te ajuda a ser feliz
A tua vida é um mar de tormentas.

És símbolo do nossos próprios erros.
És causa e efeito do que quisemos de ti
Pobre criança não tens culpa
A tua vida não devia ser assim.

Esse olhar triste entristece-me
Esse desespero por um bocado de pão revolta
Não és a criança que devias ser
Não vives como devias: à solta.

Prendemos-te nós, criança
Nós, povinho insignificante e egocêntrico
Criança és a prova da nossa estupidez
Criança, não existe ser tão autêntico.

Sobrevives como podes
E ainda és tão pequenina para sofrer...
Devíamos dedicar-te a ti a nossa vida
Mais do que nós, tu mereces viver.


Joana
Nem com interesses camuflados
Nem com intenções obscuras
Nem com nada de influência minha
És mesmo assim.
Nem com vaidades irreflectidas
Nem com atitudes pouco nobres
Nem com nada de influência divina
Tu és mesmo assim.
Pois se algures no tempo disse que eras um anjo
No nosso tempo de amizade sincera, enganei-me.
Anjo não és,
és Deus, e eu sou Jesus.
Não penses que sou exagerado
Ou que tenha vigor desmesurado
Pensa antes, com teus nobres pensamentos
Que se Jesus ressuscitou graças ao seu Deus
Também eu ressuscito das minhas mortes
Por cada vez que falo contigo.
Nada neste Mundo é desordenado
Nada nele é desorientado
Quando me recordo de ti.
Nem chama, nem amor, nem desejo
Nada me cativa mais do que a nossa amizade
És o meu sorriso, és a minha vontade.

Maldito Sebastianismo
A Lua brilhava mais que o Sol
O céu estava mais perto que a Terra
Tu, Portugal, eras mais que o sonho
Mais que a depressão, mais que a saudade
Foste antes imperador
És hoje um mero sonhador.
Para quê lutar, Portugal, para quê?
Se um bocejo é mais fácil?
Se uma desculpa é mais fácil?
Se uma lágrima é mais fácil?
Mergulha e afunda-te
Sê cada vez mais esta depressão
E não lutes.
Metes pena, Portugal
Tenho pena de ti
Mas tu não tens pena de ti próprio
Hoje és depressão, és sonho, és saudade
Sebastião o teu ópio
Preta a tua coroa
Inexistente a tua vontade!
Tomas Valongo

Sinto um baque profundo
Em cada poema que me sai
Porque a poesia é o meu mundo
Conheço-a melhor do que a tudo
Ela é das únicas que não me trai.

São os poemas que me ajudam a viver
(por muito extremo que isto possa parecer)
São eles que me fazem sentir-me eu
Gosto deles porque me fazem enaltecer
Gosto sobretudo porque me dão o que quero ter
E me levam a um mundo só meu.

Tudo no Mundo é poesia
Desde o caos à liberdade
Tempestade na maresia
Ou calor na neve fria
Ou agridoce verdade.

Por cada vez que paro e sinto
Saem-me ao repente coisas bonitas
Como a solução constante do meu labirinto
Como um recordar infinito
De coisas que não são infinitas.