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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nada vejo
Tenho os olhos tapados
Por entre sonhos que almejo.
E alguns puderes bem disfarçados.

Ai vida, que quantidade de palavras
Dispersas e libertadas
Providencias ao povinho, escravo de ti.

Ai vida, pequena ou grande
Maravilhosa ou odiosa
És a prova de que ainda não morri.

A ironia e a fantasia dão as mãos
Quando percebo que a veia poética não desapareceu
Tal como a vida, ela mudou
Mas continua a ser o reflexo exacto do que sou.

Ai vida, continua a mudar
constante e contrastante mudança
reflexo da minha ténue satisfação
reflexo da minha frágil esperança
E continua a alimentar a minha inspiração.



Maldito Sebastianismo
A Lua brilhava mais que o Sol
O céu estava mais perto que a Terra
Tu, Portugal, eras mais que o sonho
Mais que a depressão, mais que a saudade
Foste antes imperador
És hoje um mero sonhador.
Para quê lutar, Portugal, para quê?
Se um bocejo é mais fácil?
Se uma desculpa é mais fácil?
Se uma lágrima é mais fácil?
Mergulha e afunda-te
Sê cada vez mais esta depressão
E não lutes.
Metes pena, Portugal
Tenho pena de ti
Mas tu não tens pena de ti próprio
Hoje és depressão, és sonho, és saudade
Sebastião o teu ópio
Preta a tua coroa
Inexistente a tua vontade!
Tomas Valongo

Sinto um baque profundo
Em cada poema que me sai
Porque a poesia é o meu mundo
Conheço-a melhor do que a tudo
Ela é das únicas que não me trai.

São os poemas que me ajudam a viver
(por muito extremo que isto possa parecer)
São eles que me fazem sentir-me eu
Gosto deles porque me fazem enaltecer
Gosto sobretudo porque me dão o que quero ter
E me levam a um mundo só meu.

Tudo no Mundo é poesia
Desde o caos à liberdade
Tempestade na maresia
Ou calor na neve fria
Ou agridoce verdade.

Por cada vez que paro e sinto
Saem-me ao repente coisas bonitas
Como a solução constante do meu labirinto
Como um recordar infinito
De coisas que não são infinitas.